O guitarrista dos Rolling Stones, Ronnie Wood prepara um momento especial para os fãs. O músico de 78 anos, acaba de anunciar um show solo em Londres. A rara apresentação será realizada no dia 21 de agosto, no O2 Forum Kentish Town, com capacidade para cerca de 2.300 pessoas. O evento contará com a participação da cantora Imelda May como convidada.
Segundo a imprensa britânica, será a primeira performance solo completa do guitarrista em mais de 16 anos — um retorno aguardado por quem acompanha sua trajetória fora das grandes turnês. Os ingressos começam a ser vendidos no dia 24 de abril, às 10h.
A carreira solo do Rolling Stone

Créditos da imagem: Matthew Baker / Getty Images
Ao longo das décadas, Ronnie Wood construiu uma carreira paralela consistente, embora menos frequente nos palcos. Diferente de sua atuação em grandes produções, seus projetos individuais sempre surgiram de forma mais espaçada, refletindo um perfil artístico mais livre e experimental. Em vez de manter uma agenda contínua como frontman, o músico optou por lançamentos pontuais e colaborações que revelam sua identidade criativa fora das grandes engrenagens da indústria do rock.

Crédito da imagem: Reprodução / Arquivo/ Ronnie Wood
Essa fase autoral começou ainda nos anos 1970, quando Wood lançou álbuns que se tornaram referência entre fãs e colecionadores. Trabalhos como I’ve Got My Own Album to Do (1974), Now Look (1975), Gimme Some Neck (1979) e 1234 (1981) ajudam a desenhar um retrato fiel de seu estilo. Ao longo do tempo, ele também expandiu essa produção com registros ao vivo e projetos paralelos, como Live at Electric Ladyland, um lançamento raro que chegou ao público em 2024.
O estilo de Ronnie
Longe dos parceiros dos Rolling Stones, o som de Ronnie Wood explora uma abordagem mais solta e orgânica. Suas gravações e apresentações costumam trazer uma atmosfera de jam session, com influências que transitam entre rock, blues, soul e folk. Há espaço para improviso, interação entre músicos e uma construção mais espontânea — características que reforçam sua essência como instrumentista e compositor.
Essa liberdade também se reflete no repertório. Em seus shows solo, Wood tende a priorizar composições próprias, parcerias e faixas menos conhecidas do grande público, criando uma experiência mais intimista e voltada aos fãs que acompanham sua obra além dos hits. O resultado é um espetáculo com clima de celebração e descoberta, no qual o artista se apresenta de forma mais completa, explorando diferentes nuances de sua musicalidade.
Para o público, o show em Londres representa mais do que uma apresentação isolada: é uma oportunidade rara de acompanhar Ronnie Wood em um formato menos previsível, mais próximo e autoral. Um reencontro com um artista que, mesmo após décadas de carreira, segue explorando novas possibilidades criativas com naturalidade e autenticidade.
Uma antologia no show solo

Créditos da imagem: Reprodução / Store
O mais recente lançamento solo de Ronnie Wood é Fearless: Anthology 1965-2025, antologia que reúne momentos importantes de sua carreira e inclui gravações inéditas, como “Mother of Pearl”, apresentada como uma das faixas mais recentes do projeto. Lançado em setembro de 2025, o álbum funciona como uma retrospectiva ampla da trajetória do guitarrista, cantor e compositor, passando por diferentes fases de sua discografia solo e por passagens marcantes fora dos Rolling Stones.
O projeto tem como foco a identidade autoral de Wood para além do papel de guitarrista da banda de Mick Jagger e Keith Richards. Com repertório que passeia por rock, blues e soul, a coletânea destaca o lado mais pessoal e menos associado ao formato de arena dos Stones. A expectativa é que parte desse material apareça no show de Londres, o que deve dar ao concerto um caráter ainda mais íntimo e celebratório.
Oembed content:https://youtu.be/2sKZM2CK66U?si=iRimh35GLz9q66rY
A pintura como extensão artística

Créditos da imagem: Exposição de coleção de belas-artes de astro do rock icônico — apresentada por Ronnie Wood na Castle Fine Art / Arquivo / Ronnie Wood
Além da música, Ronnie Wood mantém há décadas uma relação profunda com as artes visuais. A pintura não é apenas um hobby, mas uma verdadeira extensão de sua expressão criativa. O músico possui um amplo acervo de obras produzidas ao longo da carreira, muitas delas retratando cenas do universo musical, retratos de artistas e momentos vividos na estrada.
Com traços que misturam espontaneidade e sensibilidade, seu estilo transita entre o figurativo e o impressionista, revelando um olhar íntimo sobre o ambiente artístico que o cerca. Suas obras já foram exibidas em galerias e exposições internacionais, consolidando também seu reconhecimento como pintor.

Créditos da imagem: Ronnie Wood celebra 50 anos como integrante dos Rolling Stones ao pintar seus companheiros de banda — Yahoo News UK
Para Wood, a pintura funciona como um contraponto à intensidade dos palcos — um espaço mais silencioso e contemplativo, onde ele pode explorar ideias e emoções de forma diferente, mas igualmente autêntica. Essa dualidade reforça o perfil de um artista completo, que vai além da música e encontra na arte visual outra forma de contar sua história.
O que esperar do show
Com base em sua trajetória recente, a expectativa é de um setlist que funcione como um verdadeiro panorama de sua carreira solo. O lançamento mais recente, Live at Electric Ladyland (2024), reforça essa fase de revisitar repertórios e influências, o que indica que Ronnie Wood deve montar um show que combine suas principais composições autorais — especialmente dos álbuns de estúdio mais emblemáticos — com releituras que ajudaram a moldar seu estilo.
Entre essas influências, nomes como Jimmy Reed e Chuck Berry aparecem como referências naturais dentro de sua discografia ao vivo, o que pode se refletir diretamente no repertório da noite. Ao mesmo tempo, é difícil imaginar que o músico deixe de incluir ao menos um ou outro clássico dos The Rolling Stones, ainda que reinterpretado dentro de um formato mais descontraído e pessoal.
Não é exagero dizer que a rara oportunidade de assistir Ronnie Wood em uma apresentação solo representa um evento imperdível — especialmente para quem busca uma experiência mais próxima, autêntica e musicalmente rica de um dos grandes nomes da história do rock.




