O Ministério da Saúde lançou nesta segunda-feira (4) um levantamento sobre o perfil do profissional da odontologia no Brasil. O estudo, feito em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), busca identificar os principais gargalos da área, apoiar a formulação de políticas públicas e promover a troca de conhecimentos entre especialistas, gestores e a sociedade.
Os dados mostram que o Brasil conta com 665.365 profissionais de saúde bucal, sendo 415.938 cirurgiões-dentistas — quase o dobro das demais categorias. A densidade nacional é de 19,55 dentistas por cada 10 mil habitantes, mas com forte desigualdade regional. A maior concentração está no Sudeste, enquanto o Norte apresenta os menores contingentes.
O estudo “Sociodemografia e Mercado de Trabalho da Odontologia no Brasil” revela um cenário marcado pelo crescimento acelerado de profissionais, concentração geográfica e desafios estruturais. Um dos pontos de atenção é a chamada “pirâmide invertida”, com predominância de profissionais de nível superior e menor presença de técnicos e auxiliares, o que pode impactar a eficiência e a qualidade do atendimento.
Mulheres são maioria e há envelhecimento desigual
A força de trabalho é majoritariamente feminina nas atividades clínicas: mulheres representam 65,5% dos cirurgiões-dentistas, 93,8% dos técnicos e 96,4% dos auxiliares. Já nas áreas laboratoriais de prótese dentária, há predominância masculina.
O perfil etário também varia entre as categorias. Dentistas e técnicos estão concentrados entre 30 e 39 anos, enquanto auxiliares tendem a ser mais velhos. Profissionais da prótese apresentam envelhecimento mais acentuado, com grande parcela acima dos 50 anos.
Expansão da formação e desafios no mercado
O número de cursos de odontologia cresceu 617,9% entre 1991 e 2023, chegando a mais de 650 cursos — quase 90% no setor privado.
No mercado de trabalho, houve forte expansão entre 2003 e 2012, seguida de estagnação. Em 2023, foi registrada retomada, com crescimento de 11,4% nos vínculos formais.
Apesar disso, há desequilíbrio entre profissionais e vagas. Para cirurgiões-dentistas, há apenas 0,17 vínculo formal por profissional, indicando predominância de trabalho autônomo ou informal.
O setor público concentra 80,9% dos vínculos dos dentistas, enquanto técnicos e auxiliares atuam majoritariamente no setor privado.
Interiorização e desequilíbrio nas equipes
Embora o Sudeste ainda concentre a maior parte dos empregos, as regiões Norte e Nordeste apresentaram maior crescimento recente, indicando interiorização da força de trabalho.
A maioria das contratações (cerca de 90%) corresponde a reempregos, o que sugere um mercado mais fechado para novos profissionais.
Há ainda um descompasso entre dentistas e equipes de apoio: em 2024, eram mais de 166 mil dentistas ocupados, frente a 13,5 mil técnicos e 53,9 mil auxiliares.
Especialização cresce, mas há lacunas
Cerca de 27,6% dos dentistas possuem especialização, principalmente em Ortodontia, Implantodontia e Endodontia, com maior concentração no Sudeste e Sul.
Apesar do crescimento de 62% no número de especialistas entre 2013 e 2024, áreas estratégicas para a saúde pública, como Patologia Oral e Prótese Bucomaxilofacial, ainda têm baixa oferta.


