O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer um teste genético voltado à identificação de mutações hereditárias associadas ao câncer de mama.
A medida representa um avanço importante no acesso à medicina de precisão dentro da rede pública brasileira e deve ampliar as possibilidades de prevenção, diagnóstico precoce e definição de tratamentos mais adequados para pacientes com predisposição genética à doença.
O exame utiliza a tecnologia conhecida como Sequenciamento de Nova Geração (NGS), capaz de analisar alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, mutações frequentemente relacionadas ao desenvolvimento hereditário do câncer de mama e também do câncer de ovário.
O que o teste identifica?
Os genes BRCA1 e BRCA2 possuem função importante na proteção e reparação das células do organismo.
Quando apresentam determinadas mutações hereditárias, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer ao longo da vida.
Especialistas apontam que mulheres portadoras dessas alterações genéticas podem apresentar risco muito superior ao da população geral para câncer de mama e ovário.
O objetivo do teste é justamente identificar essas mutações de forma antecipada, permitindo monitoramento mais próximo, estratégias preventivas e decisões terapêuticas mais personalizadas.
Tecnologia já era usada na rede privada
O Sequenciamento de Nova Geração já vinha sendo utilizado principalmente na medicina privada, mas ainda tinha acesso bastante limitado dentro da rede pública.
Com a incorporação ao SUS, a expectativa é ampliar o acesso de mulheres consideradas de maior risco, especialmente pacientes com histórico familiar relevante ou diagnóstico compatível com predisposição hereditária.
Segundo informações divulgadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a recomendação foi aprovada após avaliação técnica sobre eficácia, segurança e impacto clínico da tecnologia.

Teste genético pode ajudar na prevenção e no diagnóstico mais precoce da doença
Câncer de mama é o mais comum entre mulheres
O câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais frequente entre mulheres no mundo.
Segundo estimativas internacionais mencionadas nos documentos analisados pela Conitec, milhões de novos casos são diagnosticados anualmente.
Embora muitos casos estejam ligados ao envelhecimento, fatores hormonais e hábitos de vida, parte significativa também possui influência hereditária.
É justamente nesse grupo que os testes genéticos ganham importância ainda maior.
Especialistas reforçam que histórico familiar de câncer de mama, ovário ou outros tumores relacionados pode ser um sinal importante para investigação genética.
Quando o teste deve começar a ser oferecido?
Após a aprovação da incorporação, o Ministério da Saúde possui prazo de até 180 dias para implementar oficialmente a oferta do exame dentro da rede pública.
A expectativa é que o teste seja disponibilizado inicialmente para pacientes enquadradas nos critérios clínicos definidos pelos protocolos do SUS.
Ainda devem ser divulgadas orientações detalhadas sobre encaminhamento, acesso ao exame e definição dos grupos prioritários.
Especialistas destacam importância do aconselhamento genético
Outro ponto considerado fundamental nesse processo é o acompanhamento especializado após o resultado do teste.
O chamado aconselhamento genético ajuda pacientes e familiares a compreenderem o significado das mutações identificadas, os riscos envolvidos e as possibilidades de prevenção e monitoramento.
Segundo especialistas da área, a interpretação correta dos resultados é essencial para evitar ansiedade desnecessária e garantir decisões médicas adequadas.
Avanço importante para a saúde pública brasileira
A incorporação do exame é vista por entidades médicas e organizações ligadas ao combate ao câncer como um passo importante para modernizar o tratamento oncológico dentro do SUS.
Além de ampliar o acesso à tecnologia, a medida pode ajudar a aumentar as chances de diagnóstico precoce e melhorar estratégias de prevenção para pacientes com predisposição hereditária.



