Em depoimento durante audiência de custódia, ao qual o g1 teve acesso, Lício disse ter confessado o crime à mãe dele, logo após chegar em casa, e foi convencido por ela a ir até uma delegacia para se entregar.
Como foi o crime, segundo depoimento do preso:
- Conforme Lício, Beatriz havia “passado a lhe ameaçar de forma subliminar, dizendo que ‘faria algo'” com ele.
- Ele então ficou com “receio na cabeça”.
- Por volta de 1h30 de sábado, quando os dois estavam no veículo de Lício já próximo da residência de Beatriz, ele foi para o banco traseiro do carro e a sufocou com o cinto de segurança.
- O suspeito acrescentou que “agiu por impulso” e tentou reanimá-la, achando que a ex-namorada estava desmaiada.
- Sem sucesso, ele percebeu que a garota estava morta.
- Ele então ateou fogo no veículo, onde estava o corpo de Beatriz. As chamas, porém, não se alastraram e causaram pouco dano ao interior do carro.
O crime ocorreu no quarto anel viário, área erma na Região Metropolitana de Fortaleza.
Após confessar o crime à Polícia Civil, o próprio Lício conduziu os policiais até o local do crime, onde o corpo de Beatriz foi encontrado.
Influenciadora Beatriz Miranda, que possui mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, foi enforcada pelo ex-namorado com o cinto de segurança do carro, em Maracanaú. — Foto: Instagram/ Reprodução
Conforme a Secretaria da Segurança Pública, os policiais localizaram o corpo da vítima com sinais de violência, em um veículo parado em uma via pública. Na ocasião, o carro apresentava um princípio de incêndio.
Lício tem antecedentes criminais por crime contra a administração pública, desacato e resistência.
Beatriz costumava compartilhar com os seguidores seu dia a dia, além de vídeos de danças e de humor. Somente na rede social Kwai, ela possui mais de 37 milhões de curtidas. A jovem deixa duas filhas pequenas.
Tentativa de destruir provas
Para converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, o juiz considerou os seguintes pontos:
- Há fotos do cadáver (materialidade do crime).
- O próprio acusado confessou em interrogatório que estrangulou a vítima após uma discussão, tentou reanimá-la sem sucesso e ateou fogo ao carro com o corpo dentro.
- Testemunhos corroboram os fatos.
- O crime é de extrema gravidade (homicídio qualificado por meio cruel e violência de gênero, amparado pela Lei Maria da Penha).
- A tentativa de destruir provas (incêndio do veículo) indica risco de obstrução da investigação.
- A liberdade do acusado geraria insegurança e impunidade, especialmente em casos de violência contra a mulher.
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